Vida de M - o blog da atriz e dramaturga Michelle Ferreira
   
 
   



BRASIL, Mulher, Arte, esculhambação e perversidades.
 

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Uma nova fase exige um novo blog. Ele está chegando. Só preciso terminar as quatrocentos e trinta e duas coisas pendentes que tenho, depois vai.



Escrito por Michelle Ferreira às 15h23
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Está na hora de mudar.

Amanhã passo o novo endereço.



Escrito por Michelle Ferreira às 18h01
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"Saturno Contro"

un film di Ferzan Ozpetek



Escrito por Michelle Ferreira às 14h47
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      (...) Meu desejo maior: ter conhecido sua mãe. Me disseram que foi uma mulher muito bonita, vestidos de primavera de coleções francesas e no inverno roupas feitas de peles de animais.

Vivia de modo extravagente e tinha problemas com sua sexualidade. Era afetada, egoísta, inteligente e tinha uma péssima mania de limpar os ouvidos com grampos de metal preto.

Uma mulher de único talento: fazia pratos tropicais misturando abacaxi com carnes nobres. Quando engravidou pela quarta vez, pensou em aborto mas equacionou sua atitude com possíveis represarias da sociedade.

Não amava mais seu marido. Tinha um amor especial por Titinho e nada mais. Penso que se ela tivesse abortado eu nunca teria a infelicidade de te encontrar. Nunca uma existência humana fora tão inútil. Sua e de sua mãe. Toda uma geração de

mulheres cuja a única preocupação foi parecer sempre estar inconsciente do mundo e viver do etéreo-superior, coisa de ninfa de roupa esvoaçante. Sua mãe acreditava com excesso em oráculos inferiores manipulados por pessoas inferiores.

Foi uma dessas videntes que a convenceu em ter o quarto filho, mesmo dentro de um casamento adultero e sem amor. Tenho certeza de que essa vidente...gostaria de esquecer da vida e pensar em literatura, pensar nas coisas fora da vida, achar um

sentido morto e anterior e assim desistir

completamente daqui...insistiu para que ela tivesse a criança porque via no futuro que essa criança sofreria, seria preterida pela mãe por causa de Titinho, de seis dedos no pé e cabelos brancos desde a idade mais tenra.

Essa menina cruzaria meu caminho vinte e sete anos mais tarde e finalmente destruiria o meu espírito fragilizado, o meu espírito e tiraria tudo de mim e me daria em troca uma passagem direta para o hospício... sim eu como papel.

Celulose sem tempero, jornal velho, revista de arquitetura, faço isso até exaurir, até sentir que eu engoli todo  as palavras de desafeto, mordia o papel até que esse cortasse meus lábios, de forma alguma fui uma criança depressiva,

fui em todos os parques, campos e para todas as avós, minhas e dos outros, fui sempre adorável e lembro da delicadeza com a qual abraçava qualquer coisa similar a gente.

Lembro de ter chorado muito pouco e ter sorrido muito mais, e na melhor das hipóteses ter gargalhado muito mais. Tudo isso veio bem mais tarde.

 

            (...) Ele não prestou queixa porque ganhou um milhão e meio no seguro. Sou responsável pela sua felicidade mesmo tentando a qualquer custo oferecer a desgraça. É disso que sou feita. Fui amada na infância como se ama os bebês loiros. A Glória, sua mãe, apesar das boas condições, a criou meio displicente, meio descalça, meio com a empregada. Todos eram feitos de vidro, ela de carne. Não tinha orgulho de Marietta, não tinha rompantes de afeto por Marietta, não tinha carinho mas tinha um pouco de raiva daquela criança que por muito pouco não tinha feito a escolha certa de mata-la impedindo assim que ela nascesse para me causar o mau, seu objetivo maior. Todo esse descaso transformou Marietta na figura abominável que adentrará por essa porta em breve. Parece frágil, mas é muito difícil destruí-la. Tentei, sem sucesso, faze-la aprender que tenho raiva... Mas ela morrerá sem pressa.

-       A senhora esteve no Holocausto? É isso que diz?

-       É isso que digo.

-       A senhora sabe que isso é cronologicamente impossível, não sabe?

-       Não entendo o que isso quer dizer.

      A família de Marietta que coroava sempre Titinho não fora tão injusta com a menina

afinal nunca fora uma aluna brilhante, diferente de mim que de tão brilhante chegaram a me considerar débil-mental. Sempre fui fora da média. Para cima ou para baixo, a pior, a pior de várias maneiras, uma catástrofe, uma afronta ao normal.

Eu sempre esquisita e Marietta, minha amiga, sempre normal. Sempre me julguei melhor do que ela até que um dia ela percebeu e me traiu.Marietta enjeitada era o normal medíocre desconsiderada por pessoas de visão mais ampla.

-       É difícil admitir, mas a senhora está mentindo!

                  Marietta sentindo o desprezo da mãe na adolescência planejou diversas vezes mata-la durante seu sono. Sei disso porque ela me contou. Me contava tudo.

Seria uma vingança justa por um lado já que ela quase não nasceu, quase não viveu. Mas seu pensamento era tão curto que não chegou a concretizar seu plano.

 



Escrito por Michelle Ferreira às 19h04
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Não consigo mais publicar vídeos nessa merda.



Escrito por Michelle Ferreira às 17h04
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Agora sim: 29.



Escrito por Michelle Ferreira às 15h32
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Ontem, fiquei uma hora e quatorze minutos num trânsito chinês na República do Líbano. Meu plano era encontrar amigas antigas e programar uma viagem para logo mais.

O ipod estava saturado - mais de um bilhão de músicas e sim, ás vezes não quero nenhuma delas -  então resolvi surfar pelas ondas de rádios piratas.

A Hora do Brasil não interessa a ninguém. Sintonizei um pastor por acidente. Rouco, ele urrava a seguinte frase: " Que culpa você tem que Jesus foi com a sua cara?"

E viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!



Escrito por Michelle Ferreira às 10h59
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Calço a bota.

Dentro dela, um escorpião.

Ele não pica.

Não tenho sorte.




Escrito por Michelle Ferreira às 10h22
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Só a corrida me salva. Ando correndo de três a quatro vezes por semana. O parque é aqui ao lado e eu posso suar a angustia de viver em duas voltas completas e alguns quilômetros.

A endorfina é algo muito sério e se ela não existe por bem é preciso produzí-la. Simoninha sempre está lá. Qualquer dia desses a gente dá um hi-5 e troca músicas no ipod. Ouço canções sobre a neve, sobre queimar bruxas e sobre como as árvores de plástico são falsas... "músicas aleatórias" e a testa não para de pingar.



Escrito por Michelle Ferreira às 12h16
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Me encontro com ela ali, na esquina mesmo, está me esperando desde o dia que cheguei, ela, que sorri, que abre os braços...



Escrito por Michelle Ferreira às 14h59
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A

filha

da

cantora

não

tem

carisma.

Me

o

morno

e

eu

vomito.



Escrito por Michelle Ferreira às 11h28
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O papagaio Luizinho está desaparecido. Tem 30 centímetros pequenos das réguas escolares, não da fita métrica, que seria grande. Luizinho fala alemão e francês, é alegre, verde e civilizado.

Troca de meias, cuecas e escova os dentes. Gosta de cantar Roberto e Erasmo. Canta o hino nacional também. É tenor. Participou de vários corais. Nos conheços em Connecticut em 1998. Participamos de um concurso do Canadá, chegamos em quarto lugar.

Fomos amigos.

 



Escrito por Michelle Ferreira às 16h23
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Nobody saves nobody. But I will wait.



Escrito por Michelle Ferreira às 22h32
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Escrito por Michelle Ferreira às 13h47
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Num camarim em Araraquara, Zé Renato sentava no chão.

"Senta aqui que tem cadeira". Não, ele ficou no chão e depois se levantou muito rápido para pegar uma maçã.Fim de 2009.

Uma alegria ter corpartilhado esse momento. Aquelas viagens foram especiais. E eu não vi a última peça do Zé... eu estava "sem tempo".

(o tempo é a desculpa de quê?)

Da coleção de tudo que eu me arrependo: não vi o Zé como ator em sua última peça antes de ir.

Da coleção de tudo o que guardo no fundo de algum lugar que eu não sei se é o coração: O Zé foi um dos jurados do prêmio luso-brasileiro de 2009.

Ele disse que defendeu até o fim o meu texto e que tinha gostado muito. Jantamos no Planetas e depois tiramos uma foto.

Ah... essas coisas que acontecem me dão saudade de um lugar que eu nem sei se existe mais...

 



Escrito por Michelle Ferreira às 01h13
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